Finanças Públicas no Estado Contemporâneo
EMENTA
O modelo clássico do Estado tem experimentado, sobretudo a partir do século XIX,
um processo de mutação cujas razões estão estreitamente relacionadas com o contexto
econômico, político e social dominante. As transformações pelas quais passam o Estado
contemporâneo decorrem do questionamento sobre o alcance de suas funções essenciais.
Por sua vez, estas funções são definidas segundo as orientações de ordem doutrinária
ou ideológica, em determinado momento. Por exemplo, o advento da Revolução Industrial
exigiu a presença do Estado para regular as relações desiguais entre um proletariado
nascente e o capital dominante. Temos, assim, a gênese do Estado-providência. Posteriormente,
já no século XX, a construção da ordem do pós-guerra viria a repercutir significativamente
sobre o modelo do Estado e a sua teoria normativa. Com efeito, a consolidação do
processo de globalização econômica impôs nova arquitetura para o financiamento dos
gastos públicos. O questionamento do Estado-providência, por exemplo, viria a renovar
o pensamento liberal econômico a partir da primeira metade dos anos setenta. O fim
dos “trinta gloriosos anos” (1945-1975) seria responsável por este questionamento.
Assim, as lições da Escola do Public Choice de Buchanan ou da Escola Libertariana
de Rothbard seriam uma resposta à profunda crise econômica que se iniciava. Com
vistas, pois, a analisar essa dinâmica, a disciplina propõe, de acordo com abordagem
teórica, examinar as transformações conhecidas pelo Estado contemporâneo.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1. A teoria positiva do Estado
1.1 – Definição de Estado
1.2 - Teorias fundamentais da economia pública
1.3 - As mudanças nas funções do Estado
2. A gênese do Estado-providência
2.1 – O Estado-providência, a Sozialpolitik e o Welfare State
2.2 - Os modelos do Estado-providência
2.3 – As contradições e os limites do Estado-providência no fim do século XX
3. Os gastos públicos
3.1 – Conceito e classificação
3.2 - O financiamento dos gastos públicos
3.2.1 - Conceitos e princípios da tributação
3.2.2 – Categorias de tributação
3.2.3 – Incidências econômicas da tributação
3.2.4 – Sistemas tributários ótimos
3.2.5 – O reformismo tributário contemporâneo: o fim da progressividade?
4. O neoliberalismo e a reforma do Estado
4.1 - O modelo teórico do neoliberalismo
4.2 - As influências do Public Choice
4.3 – O Consenso de Washington e suas incidências sobre o Estado
4.4 -– A intervenção social do Estado na perspectiva neoliberal
5. A nova modelagem do Estado: que políticas públicas?
5.1 - A ingerência dos organismos econômicos internacionais
5.2 - Políticas públicas e globalização: a ditadura dos mercados
5.3 - O quadro econômico, político e social incidente na formulação de estratégias
destinadas ao financiamento das políticas públicas
BIBLIOGRAFIA:
FINANÇAS PÚBLICAS NO ESTADO CONTEMPORÂNEO
BIBLIOGRAFIA PRELIMINAR
ASHFORD, Douglas. The emergence of the welfare state. New York: Basil Blackwell,
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ATKINSON, A.B., STIGLITZ, J. E. Lectures on public economics. New York: McGraw-Hill,
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os efeitos da globalização; traduzido do inglês por Melissa Kassner. São Paulo:
Editora Futura. 2003.
BUCHANAN, J. M., TULLOCK, G. The calculus of consent, logical foundations of constituional
democracy. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1962.
CASTEL, Robert. Les métamorphoses de la question sociale. Paris: Fayard, 1995.
CASTLES, Francis. Comparative Public Policies: Patterns of Postwar Transformation.
Northampton: Edward Elgar, 1998.
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Paris: Fayard, 1987.
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________. Les trois mondes de l’État-providence. Essai sur le capitalisme moderne.
Paris: PUF, 1999.
FURTADO (Celso). O capitalismo global. São Paulo: Editora Terra e Paz, 1999. 83
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GIAMBIAGI, Fábio, ALÉM, Ana Claúdia. Finanças Públicas teoria e prática no Brasil.
2.ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2000.
GONÇALVES, Reinaldo. Globalização e desnacionalização. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
HAYEK, F. A. von. O caminho da servidão. Porto Alegre: Globo, 1977.
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________. A globalização e seus malefícios. Rio de Janeiro: Futura, 2002.
PLANO DE AULA
1 – INTRODUÇÃO À DISCIPLINA
1.1 – Objetivos
2 – METODOLOGIA E SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO
2.1 – Carga horária: quarenta e cinco(45) horas de encontros semanais.
2.2 – Organização dos encontros:
2.2.1 – Aula expositiva a ser apresentada pelo professor: 45 minutos
2.2.2 – Discussão sobre o conteúdo apresentado pelo professor: 15 minutos
2.2.3 - Discussão de texto ou tema a ser comunicado previamente e que deverá ser
apresentado por um mestrando a ser definido no respectivo encontro: 45 minutos
2.2.4 – Apresentação oral de seminário e debate sobre o tema apresentado: 1 hora
2.3 – Sistemática de avaliação: Será analisado o conjunto das atividades desenvolvidas
pelo mestrando ao longo do semestre
2.3.1 – Participação em sala
2.3.2 - Apresentação do seminário
2.3.3 – Elaboração de resenhas
2.3.4 - Dissertação no final do semestre
2.3.5 – Monografia final da disciplina
3 – METODOLOGIA DE APRESENTAÇÃO DA RESENHA, DO SEMINÁRIO E DA DISSERTAÇÃO FINAL
4 – REVISÃO DA LITERATURA BÁSICA SOBRE FINANÇAS PÚBLICAS
PEREIRA, José Matias. – Finanças Públicas. - São Paulo: Editora Atlas.
(Capítulos 01 a 05)
5 – TEMA PARA DISCUSSÃO NA AULA
PEREIRA, José Matias. – Finanças Públicas. - São Paulo: Editora Atlas.
(Capítulo 01)
6 – RESENHA APRESENTADA EM 29.08.2005
LIMA, Abili Lázaro Castro de. – Globalização econômica, política e direito. Análise
das mazelas causadas no plano político-jurídico. - Porto Alegre: Sergio Antônio
Fabris Editor, 2002.
7 – O GRUPO DE PESQUISA SOBRE AS FINANÇAS PÚBLICAS NO ESTADO CONTEMPORÂNEO - GRUFIC